A presidente Dilma Roussef referiu-se ao projeto da Universidade Aberta do Brasil (UAB), maior projeto público de educação a distância já realizado no país, como sendo “certamente o programa mais eficaz para a melhoria da qualidade do ensino” no país. A afirmação foi feita na coluna semanal Conversa com a Presidenta, que é divulgada em jornais no formato entrevista. Ela respondeu a uma pergunta de uma estudante universitária carioca sobre as iniciativas do governo federal no sentido de qualificar a educação no país. Além de citar projetos como o Banda Larga nas Escolas e convênios com prefeituras no sentido de facilitar o deslocamento dos alunos (o que reduz a evasão escolar), a presidente afirmou, sobre a UAB, sua eficácia na formação docente e que “o Sistema é integrado por universidades públicas que oferecem cursos de nível superior, por educação a distância, para a população em geral, com prioridade para professores. Pelo Sistema UAB, estamos qualificando docentes de todo o país, incluindo os das localidades mais isoladas. Em 2009, estavam cadastrados 190 mil alunos, dos quais 51 mil eram professores da Educação Básica.”
A Universidade Aberta do Brasil é um dos projetos federais na área educacional que mais tem crescido. Só em 2010, houve um crescimento de 70% em número de polos presenciais, e o número de vagas oferecidas dobrou. Um dos desafios da UAB, proposto formalmente, é o de ajudar a ampliar de 12% para 25% o percentual da população brasileira entre entre 18 e 24 anos que faz um curso superior. A diretoria de Educação a Distância da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), responsável pela UAB, foi alterada ontem, com a saida formal, a pedido, de Celso Costa, que vinha trabalhando na implantação, pela UAB, do primeiro mestrado a distância no Brasil, em convênio com a Sociedade Brasileira de Matemática.
Veja abaixo a transcrição da coluna semanal Conversa com a Presidenta de ontem, na qual ela se refere à UAB:
Conversa com a Presidenta
Coluna semanal da Presidenta Dilma Rousseff
Luiz Cezar, 44 anos, porteiro de Salvador (BA) – Como será sua política de empregos para pessoas que têm mais de 40 anos? Hoje em dia elas não conseguem se encaixar no mercado de trabalho devido à idade alta.
Presidenta Dilma – Luiz, de uns tempos para cá esta situação vem mudando bastante. Veja você que em 2003, segundo o IBGE, os empregados com mais de 40 anos representavam 39,9% do total de pessoas ocupadas e, em 2010, esse índice chegou a 44,4%. Isto significa que as empresas estão aos poucos descobrindo o valor da vivência, da experiência. Para facilitar mais a colocação, os que ainda estão à margem do mercado de trabalho devem procurar o Sistema Nacional de Emprego (Sine), que encaminha aos cursos do Plano Nacional de Qualificação, implementados pelo Ministério do Trabalho. As chances aumentam muito, porque os cursos levam em conta as necessidades do mercado local. Outra opção é procurar as escolas técnicas. No seu estado, a Bahia, havia 9 escolas técnicas até 2002 e, no governo passado, nós criamos mais 12. Destaco também que a geração recorde de postos de trabalho, nos últimos oito anos, está beneficiando todas as faixas etárias. Em janeiro, a taxa de desemprego medido pelo IBGE ficou em 6,1%, que é o menor índice para este mês desde o início da série histórica do IBGE.
Gabriela F. Feldkircher, 18 anos, estudante universitária do Rio de Janeiro (RJ) – Quais as medidas práticas que a senhora pretende adotar para melhorar o ensino básico nos próximos meses?
Presidenta Dilma – Para melhorar a educação, não basta planejar medidas para o curto prazo. Nós temos investido muito na melhoria da Educação Básica desde o governo Lula, mas sabemos que ainda há uma longa estrada a ser percorrida. Temos várias iniciativas em andamento. Certamente o programa mais eficaz para a melhoria da qualidade do ensino é o Sistema Universidade Aberta do Brasil (UAB), criado em 2005. O Sistema é integrado por universidades públicas que oferecem cursos de nível superior, por educação a distância, para a população em geral, com prioridade para professores. Pelo Sistema UAB, estamos qualificando docentes de todo o país, incluindo os das localidades mais isoladas. Em 2009, estavam cadastrados 190 mil alunos, dos quais 51 mil eram professores da Educação Básica. Outra iniciativa, o Programa Banda Larga nas Escolas, já chegou à grande maioria das escolas públicas urbanas – nossa meta é completar o atendimento de todas as escolas públicas do país até dezembro. Para facilitar o deslocamento dos alunos e reduzir a evasão escolar, viabilizamos no governo anterior a compra, pelos municípios, de 5 mil ônibus padronizados. E agora, estamos permitindo a compra de bicicletas escolares para zonas rurais e periferias. O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) vem crescendo bastante nos últimos anos. Nossa meta é chegar ao mesmo índice dos países desenvolvidos em 2022.
Meire Alves, 28 anos, autônoma de Cuiabá (MT) – O que a senhora pretende fazer para diminuir os problemas da saúde pública no Brasil?
Presidenta Dilma – Em meu discurso de posse, eu disse, e reafirmo, que uma das prioridades do meu governo é consolidar o Sistema Único de Saúde (SUS). Vamos investir fortemente na rede de urgência e emergência, que será reformada, reequipada e ampliada. A busca pelo atendimento humanizado e de qualidade será constante. Para isso, vamos prosseguir com investimentos na expansão da rede hospitalar, das Unidades de Pronto Atendimento (UPA’s 24h) e do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU 192). Outro compromisso meu é a instalação da Rede Cegonha, que vai tratar de forma integrada a saúde materna e infantil, reduzindo a mortalidade. Quero implantar o Cartão Nacional de Saúde, que facilita a marcação de exames e consultas e permite a obtenção gratuita de medicamentos. Temos no SUS um elenco enorme de serviços, que vão da atenção básica a procedimentos complexos. O cartão permitirá a consulta ao histórico clínico dos pacientes usuários desses serviços. Em menos de dois meses de governo, já podemos mostrar o cumprimento de compromissos assumidos com a sociedade. É o caso da ampliação da oferta de medicamentos gratuitos. Desde 14 de fevereiro, remédios para hipertensão e diabetes podem ser retirados gratuitamente das mais de 15 mil farmácias conveniadas que integram o programa Aqui Tem Farmácia Popular. Cerca de 33 milhões de hipertensos e 9 milhões de diabéticos estão sendo beneficiados.
Matéria publicada no portal http://www.acheseucurso.com.br/